terça-feira, 23 de novembro de 2010

Histórias de uma cápsula

  Matéria prima
malhada e trabalhada
por um cara de asa.
Do campo pra cidade
levada pelo cara de asa.

  Matéria prima
inocente?só na sua mente
pois tira a vida,
como versos viram rima.

  Matéria prima
vira bala,que mata
e cai a cápsula.

 A bala do cartucho
o cartucho da bala.
 A bala da cápsula
a cápsula da bala.

 A cápsula e a bala
a bala e a cápsula
carne e unha
até que se separam pelo dedo da arma.

 A bala que rasga, mata
a bala que segue reto
não para
não para
a seta na reta não para.

 Até que para,
para na cara do cara
e o sangue na cara exala
aí que para.

 A bala na cara estampa
aí que para a bala
na cara estourada
na cara que olha a cara do cara da bala
que fala:
toma na cara babaca

  O medo que estampa
não sara,
do corpo caido na rampa
não sara.
  Ecoa o riso do cara de asa
que fabrica bala.

 Cai a cápsula
cai a lágrima.
Tristeza que não para
como a bala não para.
Tristeza que só para com bala.

 Cai a cápsula,
quente e depois fria
levando na mente o testemunho do incidente
hediondo e consciente.

  Cai a cápsula
cai, quica e rola
até se molha e rala.
Se rala e rola,rola.

 Rola e para
no pé dum cara.
Cara do Rio,Rio lindo
que perde o lindo por causa da bala.

  Para no pé do cara,
cara que nem sabe do cara da bala
ou do cara que a cara o sangue exala.

  E o cara do Rio,
Rio ainda lindo,mas ainda com bala
pega a cápsula da bala do fabricante de balas:
um cara de asas.

  O tempo passa
passa, e não para
como a bala.
Bala que rasga e mata
e dilata caras.

  O tempo leva a cápsula
que leva na mente
histórias de vários caras,
e hoje o tempo a leva
na bolsa de uma paraguaia.

                                                                    De: Caio Almeida

Um comentário:

  1. vlw x si lembrar de mim! eu paraguaia... fico massa! *-*,, te amo amigooo! by:Pame

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