segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Dor, angustia etc...

  É por isso que estou aqui,
num canto escuro de um quarto,
talvez com lágrimas nos olhos.

  Ou aqui,
sentado no meio fio,
ou até mesmo com uma arma na cabeça.

  Porque eu sei,
sei de coisas demais,
sei o que é viver essa vida:

  Sei o que é viver uma vida
em que qualquer esperança é uma ilusão,
onde não há luz no fim do túnel.

  Sei o que é lutar anos,
dar o sangue,
por algo que nunca existiu.

  Sei o que é,
olha o horizonte esperando alguém
um alguém que ainda não voltou.

  Eu sei o que é...
amar e ser amado,
amar e ser rejeitado,
amar e ser amado,para depois ser rejeitado,
e conheço também a dor de uma traição.

  Conheço muitas coisas...

  Conheço a angustia,
que é estar à um paço da linha de chegada,
da vitória....
e cair ali.

  Conheço a dor de sentir dor,
já chorei lágrimas por alguém que já se foi,
que se sem avisar.

  Conheci a angustia da dor,
a dor da angustia,
mas me acostumei com a tristeza.

  Claro que sei,
o que é chorar dentro de um sorriso.
Lógico que já chamei a morte,
e a morte já me chamou
mas o mãos furadas não deixou.

  E quando vejo a esperança,
quando atravesso o túnel e vejo a luz,
um sorriso em meu rosto...
eu acordo.

  Acordo
  Acordo e vejo pela janela
armas, fogo, e tanques
ao lado de casa.

  As balas invadem a minha janela
eu tava dormindo tentando sonhar.
(dizia o Pensador)

  Sei o que é ter olhos,
olhos revoltosos,
que passam a não reconhecer o belo da vida,
mão tremulas,
e braços cansados de remar.

  Sei o que é estar em baixo de asas,
de penas negras,
que riem com a minha dor.
Elas me sufocam,
eu me debato,
mas ainda não é desta vez.
  
 Então porque?
porque ainda se espantam ao me verem triste?
Porque ainda perguntam:
"porque você esta assim?..você era o mais animado do grupo.."
  
 Eu sei me esconder
atrás de uma risada 
que esconde uma lágrima.
  
  Mas saibam,tenham em mente
que se penso em parar 
é porque já andei muito pra estar aqui,
por isso estou aqui.
                                                                                                          De: Caio Almeida


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